Chegava o ano de 1975, e o país sofria grande viragem, tanto a nível local como nacional, o que veio exercer uma grande influência no evoluir do novo aglomerado urbano.
O primeiro destes acontecimentos foi, sem dúvida alguma, a chegada dos retornados, grande número de gente vinda das ex-colónias, como consequência do processo de descolonização levado a cabo após o 25 de Abril.
Distribuídos por vários pontos do país, uns porque tinham laços familiares aqui na metrópole, outros porque não tinham para onde ir, foi contudo a zona de Sines que albergou o maior núcleo dos retornados, vindos principalmente de Angola e Moçambique (e também de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e da Guiné-Bissau).
Não podemos saber exactamente quantos vieram, uma vez que ninguém até hoje estudou o caso deles, sabemos no entanto que foram muitos, na ordem dos 70%, e chegaram de mãos e almas vazias. Foi esta a zona preferida, pelo desenvolvimento industrial que se tinha iniciado, e ainda porque havia um novo aglomerado urbano (aldeia, vila ou cidade?) por habitar: Santo André.
Conscientes estamos todos das dificuldades que estas gentes passaram com a nova vida que lhes foi imposta. Chegaram a um país sem empregos, sem casas, sem estruturas, a um país que os olhava com desconfiança e os associava ao colonialismo e à exploração dos negros. O retornado era visto como um peso a sustentar, mais um problema a resolver. Geralmente, o homem que vai para a cidade, vai atraído pela imagem de uma vida melhor, contudo aqui esta situação não se verificou, pois devido às circunstâncias em que estes vieram para o país, dificilmente se acreditará que vieram para concretizar ambições, antes pelo contrário, eles foram forçados a trocar a vida melhor que tinham pela vida pior que têm em Santo André.
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